BERLIM

No momento em que percebeu que estávamos mesmo em trem errado, o guia ficou lívido! Sua respiração começou a falhar e tudo que pensávamos dizer era: Calma! calma! Nosso grupo era bem pequeno, coisa que nos causava estranheza, porque para grupos pequenos assim, normalmente a viagem era cancelada. Mas essa era a sorte do guia, éramos poucos e ainda, compreensivos e tolerantes. Tenho a impressão de que se fossemos em maior número, teriam jogado o guia do trem.  Ele levou alguns minutos para se refazer, de lívido foi ficando vermelho, e saiu em direção a frente do tem para ver o que poderia fazer e em menos de um segundo sumiu dos nossos olhos. E sumiu mesmo! Ficamos ali, viajando em pé, e nesse momento já sabíamos que estávamos viajando na direção contrária ao nosso destino. Deveríamos estar indo a Berlim, e ao invés disso estávamos indo em direção a Mannheim! Passados uns 15 minutos, ele aparece novamente, com uma fisionomia mais tranquila dizendo: tudo bem, pessoal! Em Mannheim pegamos o trem de volta para  Berlim. Em menos de uma hora, estaremos na direção correta novamente. E assim foi. Tudo isso atrasou em pelo menos 3 horas nossa chegada a Berlim. Mas o importante é que chegamos!


Não foram tão boas vindas como em Frankfurt. Pena!
Ambos, eu e Antônio, tivemos uma sensação muito desagradável ao saltarmos do trem. Um desconforto íntimo grande que acabou desaparecendo com o passar do tempo para o Antônio, mas pra mim continuou até o final. De forma inesperada para mim, senti a atmosfera de Berlim com um peso difícil de carregar. Chegamos no meio da tarde, colocamos nossas coisas em ordem e saímos para comer alguma coisa. Achamos perto do hotel, que ficava a uma quadra de Kurfürstendamm, uma cantina, e comemos pizza e massa. Estávamos com muita fome! Andamos mais um pouco pelas redondezas e voltamos para o hotel.


Segundo dia de Berlim, saímos para um tour pela cidade e vimos como tudo ainda gira em torno do nazismo e da guerra fria. Pelo menos no que diz respeito ao turismo. Essas duas coisas não existem mais, mas ainda são referencia na vida das pessoas. É comum que se fale ainda em lado leste ou lado oeste. Das riquezas de um e de outro e de como foram criadas soluções para os 40 anos de separação. Uma coisa que achei interessante foi que quando houve a reunificação, tudo ficou dobrado. Todas as repartições, teatros, monumentos, e museus, porque cada lado construiu uma vida para si. Por todo o lado que se olha, Berlim dá testemunho da estupidez da guerra e da luta pelo poder depois dela. Os anos da guerra fria fizeram da cidade um cenário de horror que ainda persiste na memória das pessoas e da cidade. Talvez seja um dos motivos de se perpetuar a referencia de lados. Por ex, quando se faz referencia a um lugar, a indicação é lado leste ou lado oeste... Pequenas coisas assim. Deste lado ou do outro, antes ou depois da queda do muro. Talvez isso não se dê no dia a dia do berlinenses, acostumados a fazer sua vida numa determinada área, mas é visível em todos os pontos que se visita.



Uma coisa que me pareceu bastante interessante: a quadriga, que fica em cima do portão de Brandenburgo, costumava ser um simbolo de paz, com a deusa Irene dirigindo a biga, levando à mão o bastão com uma cruz de ferro e uma águia. Quando a cidade foi dividida, tanto o portão quanto a quadriga ficaram ente muros, ou na faixa que existia entre eles. Simbolicamente, para mim, não dando razão a nenhum dos lados.Nem participando da contenda.





Construções lindas que foram destruídas e restauradas para a forma original em muitos pontos, já que Berlim foi praticamente toda destruída pelas bombas. Existe uma parte da cidade onde é tudo muito bonito, mas em outras se percebe o intenso culto a um tempo que parece não ter ido embora. Essa última foto é de checkpoint Charlie, uma guarita em que os documentos eram mostrados e lá se aprovava ou não a passagem para o lado oposto. Ainda se mantém o posto como um ponto turístico. Ao lado desse ponto, parte do muro ainda em pé. São vistos até, em lojas de souvenires, pedaços de muro para vender (acredite!)  e a visita ao muro que sobrou em pé é praticamente obrigatória. Terminamos o passeio num lugar, próximo ao hotel, onde ficam duas igrejas - Kaiser Wilhelm Gedächtniskirche, uma sendo restaurada pela quase total destruição, e outra, ao lado desta, moderna e com intuito de deixar ali um lugar de reserva e introspecção em meio a toda confusão de Kurfürstendamm,  rua mais importante - do lado oeste!


Depois desse passeio, ficamos com a tarde livre, então nos aventuramos ao metro de Berlim. No começo apanhamos um pouco, mas tivemos a ajuda gentil de um atendente que entre um parco inglês (dele) e um parco alemão (meu), nos indicou o primeiro caminho. Aí, depois de entendido o funcionamento geral, nos libertamos e fizemos muitos passeios. Os dias aqui são frios, e aquelas fotos em que você vê alemão torrando ao sol, acredite, deve ser a 15 graus. Descobri que aqui é verão, não porque seja quente, mas porque não é inverno.
Voltamos ao hotel, descansamos um pouco e saímos novamente para comer alguma coisa. Paramos num restaurante alemão, pedimos uma sopa cada e uma porção do autentico salsichão alemão. E cerveja, sempre cerveja!



No dia seguinte, dia livre, metrô outra vez!
Voltamos aos lugares em que havíamos passado rapidamente no tour anterior. A catedral, os museus, e fizemos também um passeio pelo rio Spree,  conhecendo tudo pelos lados inversos aos mostrados pelo tour de terra.


 
 



Passeamos mais um pouco depois disso, e voltamos ao hotel. Saímos mais à noite para jantar num dos muitos restaurantes que havia nas imediações do hotel e pudemos ver um pouco do que seria a vida noturna de Berlim. Não voltamos tarde, porque no outro dia, começava a aventura Praga!

Um comentário:

  1. Quando disponível, também gosto muito de usar o metrô nas minhas viagens. E dos dias livres para explorar os lugares com calma. ;-)

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